Sua profissão está em extinção?

Durante o Fórum Econômico Mundial, foi apresentado o relatório Emprego dos Sonhos: dados sobre aspirações profissionais futuras catalogadas com 600 mil jovens em 79 países, entre eles o Brasil. E as notícias não são muito animadoras: a ‘vocação’ de muita gente pode acabar.

Apesar de pesquisas apresentadas no mesmo evento que apontam um cenário de geração de empregos – a Jobs of Tomorrow prevê a criação de 1,7 milhão de vagas só a partir de profissões consideradas novas em todo o mundo, só em 2020 – a adoção de novas tecnologias e otimização de segmentos mostra que carreiras tidas como “certas” estão comprometidas.

Esther Cristina Pereira, psicopedagoga e diretora da Escola Atuação, em Curitiba, vê esse cenário como uma oportunidade para repensar a grade curricular e a forma que os pais lidam com os sonhos das crianças. “A pesquisa mencionada aponta que, desde o ano 2000, pouco mudaram as 10 profissões preferidas que esses jovens sonham em ter”, reflete. “Logo, de que forma será que os pais e educadores estão criando uma cultura de pensar o mundo atual? Será que paramos no tempo nesse sentido?”.

Esta reflexão tem feito a Escola repensar constantemente o que ensina aos jovens. Há cursos específicos, já pensando no ingresso ao mercado de trabalho, que desde o Ensino Fundamental ensinam conceitos de mecatrônica, engenharia e outras especializações. “É uma forma que encontramos de antecipar essa preocupação, para que o jovem não tenha apenas três anos para definir o que fará pelo restante da vida”, diz.

As profissões do futuro

  1. Cientistas de dados / Um pouco de matemática, ciência da computação e observação de tendências. Apesar de ser uma profissão em alta atualmente, deve crescer em ainda maior número com o passar do tempo. São responsáveis por coletar grandes quantidades de dados e transformá-los em algo coerente, que sirva como propósito a um tipo de negócio. Também é dever deles ter uma sólida compreensão de estatística, assim como técnicas de machine learning e big data.
  1. Gestor de desenvolvimento de negócios em inteligência artificial / Cabe a esse profissional definir, desenvolver e implementar programas eficazes para acelerar vendas e negócios de inteligência artificial (IA). Neste sentido, ele é o head da construção de fluxos conversacionais – como os chatbots online, por exemplo – que são baseados em regras de “aprendizado” para um computador, a partir da experiência do sistema. Logo, o gestor também atua na curadoria de conteúdo, cuida do treinamento da Inteligência Artificial e organização do conteúdo dos diversos assuntos relacionados ao negócio em que ela é implantada. 
  1. Terapeuta de radiação / Tendência nos países desenvolvidos, é um especialista no uso de radiação ionizante para matar as células que causam o câncer. É responsável por operar uma máquina altamente complexa, um acelerador linear, que se concentra um feixe de energia de radiação sobre as células cancerosas.

As profissões que acabaram e eram populares

  1. Telefonista / Trabalho que surgiu no fim do século XIX e perdurou durante boa parte do XX, era uma profissão dominada predominantemente por mulheres, que operavam uma central imensa de fios. Intermediárias das ligações, elas seguravam as pessoas na linha enquanto realizavam uma conexão para a próxima chamada, muito antes de haver telefones celulares ou smartphones. Sua necessidade foi erradicada com o avanço da tecnologia automatizada.
  1. Acendedor de lampiões e postes / Profissão que em algumas cidades brasileiras existiu até meados do século passado, o acendedor de lampiões e postes saía pelas ruas ao cair da tarde, acendendo poste por poste. Ao amanhecer, os apagava e, se necessário, realizava a manutenção. Com o avanço das conexões elétricas e programação automática dos postes, a profissão perdeu a sua necessidade.
  1. Computador humano / Muito antes de haver máquinas que realizassem cálculos matemáticos em questão de segundos, havia um grupo de pessoas que atuavam dessa maneira. O computador humano, profissão que é chave no filme baseado em fatos reais “Estrelas Além do Tempo” (2016), devia seguir regras fixas para realizar longos cálculos. O propósito poderia variar, desde a construção de um edifício até mesmo probabilidades de algo acontecer como no caso do longa-metragem, que fala sobre possibilidades astrofísicas.

As profissões que podem deixar de existir

  1. Assistente jurídico / Hoje, já estão em funcionamento soluções que usam inteligência artificial que já conseguem realizar o grosso da análise de processos e termos jurídicos, o que pode colocar em xeque o prosseguimento dessa carreira. Os advogados que raciocinam e têm deduções a partir de interpretação sempre serão úteis, mas os que trabalham com “papelada” estão a perigo.
  1. Contadores / A digitalização dos processos para declaração de Imposto de Renda, por exemplo, tem sido o foco do surgimento de muitas startups no Brasil. Isso, além de reduzir preços, também acaba com a necessidade de um intermediário como o contador nesse caso. Neste sentido, os contadores ainda estarão envolvidos – mas em muito menor número que antigamente.
  1. Corretores de imóveis / Conforme os especialistas, aqui não se trata necessariamente de um fim e mais uma modificação. Hoje, os corretores de imóveis praticamente são os profissionais que entregam as chaves ao comprador ou locador de um imóvel, graças à facilidade que a internet propõe a interação com casas e apartamentos. No Brasil, esses cerca de 500 mil profissionais têm como principal desafio a uma reinvenção pensando em consultoria e atendimento humanizado, que demonstre influência na decisão final.