Nos últimos 11 anos, Lisboa escolhe o melhor pastel de nata da cidade. Neste ano, os integrantes do júri têm a difícil decisão de analisar cinco atributos, numa escala de zero a 10: aspecto, toque de massa, sabor e consistência da massa, recheio e sabor global. São 34 participantes, o maior número de inscritos desde a criação da Prova Nacional do Pastel de Nata.
A pré-seleção aconteceu nos dias 26 e 27 de março, no Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, em Lisboa. O vencedor será definido no dia 10 de abril, durante os festejos do Peixe em Lisboa, evento gastronômico com foco em peixes e mariscos portugueses, organizado pela Associação Turismo de Lisboa.
Mas por que é importante para as pastelarias (confeitarias no Brasil) participarem da Prova Nacional? Pela notoriedade e aumento significativo nas vendas.
João Batalha é um exemplo. Herdeiro das receitas da família, conta que em 2016 eles participaram pela primeira vez do concurso, com os doces feitos nas duas pastelarias Batalha, em Mafra (cidade que pertence ao Distrito de Lisboa). Antes do resultado do concurso, a produção de cada loja era de 50 pastéis/dia. Na semana seguinte ao resultado, a produção passou para 500 pastéis/dia e depois se manteve em 100 pastéis diários, o que corresponde a produção diária atual.
“Recebemos medalha de bronze em 2016 e isto resultou num aumento impressionante nas vendas. Com mais dinheiro em caixa, abrimos em 2017 a Pastelaria Batalha no bairro do Chiado, em Lisboa. E em 2018, novamente ficamos em terceiro lugar no concurso”, relata.
Ele conta que a receita existe na família há 20 anos e é a mais tradicional. “O pastel de nata que faço para o concurso é exatamente o da minha produção diária para os clientes. Além de ingredientes de qualidade, o mais importante é o empenho e nunca se contentar com o que foi feito. Devemos sempre melhorar para oferecer um doce conventual cada vez mais perfeito”, afirmou o chef Batalha, que espera para 2019 nada menos que o primeiro lugar no concurso.
História – não se sabe, com precisão, o local e a data de criação do Pastel de Nata. Mas Virgílio Nogueiro Gomes se empenha em descobrir.
Ele preside o júri e é o mentor do concurso, além de ser um estudioso da alimentação mundial e, em especial, dos pratos portugueses. Há anos ele se debruça sobre documentos guardados em conventos e mosteiros portugueses para descobrir a origem deste doce conventual.
E foi no Convento de Santa Clara de Évora que ele encontrou a descrição que mais se assemelha ao pastel de nata dos dias de hoje. A anotação é atribuída a Soror Mariana Leocádia do Monte do Carmo, Abadessa, num caderno datado de 1729.
Mas por que há esta magia e encantamento com o Pastel de Nata? Gomes responde. “O olhar é o primeiro sentimento. Um doce de casquinha ‘doirada’ e as camadas da massa aparente. Depois os dedos sentem o estaladiço da massa e numa leve ‘trincada’ sente-se o recheio. Polvilhe canela e açúcar e aprenda a casá-lo com um bom vinho português ou café. E nunca um será suficiente”, ensina Gomes, que também é professor na Associação dos Cozinheiros Profissionais de Portugal.
O preço do Pastel de Nata varia de 1 euro a 1,90. É um doce barato, saboroso, delicado, não muito doce e que rende filas de turistas em frente às pastelarias de Lisboa.